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No universo feminino do ‘in’ e ‘out’, as bolsas nunca perderam o prestígio. Elas acompanharam a evolução da mulher, ganhando design, novas formas, tamanhos e materiais, e hoje têm seu espaço garantido no guarda-roupa.Parece até que ela sempre esteve ao lado da mulher. Pequena ou grande, clássica ou moderna, discreta ou ousada, a bolsa é um acessório tão essencial, que fica difícil extraí-la do look feminino. Mas nem sempre foi assim... Durante muito tempo, as sombrinhas, os leques e os xales roubavam a cena. Somente a partir do século 18, quando a mulher sai de casa, a bolsa ganha utilidade em seu vestuário. Os primeiros modelos, baseados nas versões masculinas, ficaram conhecidos como ‘pockets’.
Com o formato dos bolsos atuais, eram confeccionados em pares e amarrados à cintura. Nos ‘pockets’, as mulheres carregavam espelhos, sais de cheiro e até mesmo garrafas de bebidas. O dinheiro só teve seu espaço garantido em uma outra versão chamada ‘pocketbook’, parecida com um envelope e feita para carregar na mão.
A industrialização invadiu o mundo da moda no final do século 19, trazendo novas peças. Em 1880, a bolsa tipo saco com armação expansiva fica muito popular. Além das feitas de seda, brocado de veludo e tapeçaria, as de malha de metal se tornam as preferidas, em 1890.
A revolução no design e conceito da peça acontece no século 20. “A bolsa evolui acompanhando a necessidade feminina. Ela perde a função exclusiva de ornamento à medida que a indústria atrai a mulher para o mercado de trabalho”, revela Claudete Syhua, designer da Arezzo.
Os anos 20 foram marcados por uma grande efervescência do estilo art-déco. Na moda, é a vez dos vestidos tubulares curtos, que facilitam os movimentos frenéticos do charleston, a dança do momento. Com as roupas de cortes retos, os colares compridos, as boinas e o cabelo curto, Gabrielle Coco Chanel emplaca o seu estilo. Em 1925, um dos desenhos da designer, a bolsa Alma, é executada e incorporada à linha da Louis Vuitton. “É uma peça que ainda faz parte da coleção da loja”, revela Marcelo Noschese, diretor da marca.
Diferentes tipos de bolsas completam o visual da mulher: para o dia, as pequenas carteiras de couro trabalhado e os sacos de tecido com armação na boca são a opção; para a tarde e a noite, os modelos de metal e malha aparecem em formatos inusitados. É também nesse período que as ‘vanities bags’, minúsculas bolsas com espaço para a maquiagem e para poucos itens, como moedas, grampos e, no máximo, um pente, tornam-se muito populares.
A desenfreada expansão da moda foi contida durante a década de 30. Os anos de guerra retomaram o uso de cores mais sóbrias e das saias longas. Embora tenha sido um período de depressão, o corpo da mulher foi redescoberto com os vestidos justos e retos. O mais comum modelo de bolsa ainda é o tipo carteira, que traz alças bem curtas apenas para encaixar os dedos. Em 1935, o famoso designer francês Hermés lança uma carteira no formato de uma bolsa de sela, que intitula de Kelly em homenagem à atriz hollywoodiana Grace Kelly, que aderiu ao estilo. Embora o período seja de entressafra, Coco Chanel assina uma de suas mais importantes criações: a bolsa de matelassê. A época é caracterizada pelas peças feitas sob encomenda. A bolsa Noe, outro clássico da Louis Vuitton ainda encontrado na coleção, foi confeccionada para carregar garrafas de champagne a pedido de um cliente.
Saia rodada e calça cigarrette
O final da década de 40 retoma a valorização da mulher, libertando-a dos uniformes sérios, feitos de materiais pesados. Um dos responsáveis pela volta do luxo é Christian Dior, com o lançamento de sua primeira coleção, conhecida como “New Look”. Corpete justo, cintura estreita e saia rodada resultaram na silhueta curvilínea que foi padrão até o início dos anos 50. “Nessa época, as bolsas têm formato mais bojudo e, em vez de alças, os aros são apoiados nos braços”, acrescenta Kathia Castilho, coordenadora de pós-graduação do curso de Moda e Comunicação On-line da Faculdade Anhembi Morumbi, de São Paulo, SP. A cultura jovem assinala a década de 50 com a moda colegial: saias rodadas, calças cigarrette, sapatos baixos, suéter e jeans. As bolsas pequenas de alça ainda são sensação.
A partir dos anos 60, a moda ganha uma nova concepção. “As bolsas não precisam mais ser combinadas com sapatos e roupas. É preciso ter bom senso e criar sua própria personalidade no vestir”, esclarece Kathia. A minissaia, desenvolvida pela inglesa Mary Quant e pelo francês André Courrèges, vira febre. Mais tarde, em 1965, Courrèges apresenta sua visão futurista da moda com roupas de linhas retas, tecidos metálicos e fluorescentes. Paco Rabanne usa o alumínio como matéria-prima e cria bolsas metalizadas com alças de acrílico. As fibras sintéticas trazem a praticidade, pois não amarrotam, e as estampas psicodélicas traduzem o desejo de libertação da época. As bolsas ficam maiores, ganham reforço e aparecem em modelos tipo maleta.
Em busca de paz e amor, os anos 70 foram imortalizados pelo movimento hippie. As bolsas femininas ganham alças mais compridas e passam a ser usadas cruzadas. É nessa década que a marca brasileira Victor Hugo começa suas atividades no Rio de Janeiro."
extraído de: http://gowheresp.terra.com.br